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HIP HOP POLÍTICO OU POLITIZADO?

Por A.Tiago

Apolítico

Primeiramente que a falácia de que o Rap não pode se misturar com a política já deveria estar extirpada dos nossos discursos. Se tem uma vertente musical que é, e de fato sempre foi politizada, foi o Rap. E se tratando de Rap brasileiro, adicione política nisso. O termo de origem grega designa sobre a administração e organização do Estado e as relações de poder com os cidadãos. Dito isso, qual a música que mais fala sobre a administração pública, segurança, educação, desigualdade e outras questões sociais? O Rap, sem sombra de dúvida. Passado esse ponto, é importante destacar que política não significa e não se resume a sigla partidária, candidatura, ou somente às eleições. As decisões políticas norteiam diretamente a vida de todos, e não querer participar ou tornar-se apolítico, não deixa de ser também uma decisão politica. O rapper Eduardo faz uma síntese do assunto em um trecho da entrevista concedia a TV Rap Nacional em 2011.

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam” Platão

Posicionamento político

O fato de delatar as tragédias sociais acometidas nas periferias e apontar os demandas advindas das classes dominantes não resume a totalidade do discurso do Rap. As letras muitas vezes em tons generalistas podem não contemplar o posicionamento assertivo de cada autor da música. É por isso que o movimento Hip Hop não se resume a formatação sonora limitada à um número de minutos, existem rappers que vão além da própria música e em declarações mostram suas convicções de forma clara e explicita, não deixando margem para interpretações. Um exemplo recente disso, é o afamado impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef. Não foram poucos os cantores e ativistas do movimento que posicionaram-se contra o que foi chamado de golpe. O rapper Mano Brown se manifestou de forma contrária à saída de Dilma da presidência, afirmando que "Não estão preocupados com Brasil. Eles estão preocupados em substituir quem está no poder". Outro rapper que se posicionou contra a investida foi o cantor Eduardo. Mesmo sendo um critico declarado do governo petista, ele criticou a manipulação midiática e elitista feita para tirar Dilma do poder, dizendo que só seria legitimo caso o clamor fosse popular, e não vindo da classe dominante. Crônica Mendes foi outro rapper que manifestou sua opinião. Ele fez uma transmissão ao vivo pelo seu perfil no Facebook onde dedicou boa parte do tempo explicando as razões pela qual foi contra o processo. E até Emicida que é muita vezes criticado por uma ala mais conservadora do Rap, foi pragmático na sua analise em relação ao impeachment. Afirmando "É golpe para caralho".

Outros militantes da cultura Hip Hop manifestaram seu posicionamento através de vídeos, entrevistas, obras, redes sociais ou falando abertamente. Isso mostra que o Rap não precisa se restringir à generalização, e que tomar partido é na verdade muito necessário.

O Rap nas eleições

A candidatura de rappers e militantes do Hip Hop às esferas governamentais não é nenhuma novidade. Pessoas ligadas a cultura de rua muitos vezes pleitearam cargos públicos em eleições passadas. Talvez o caso mais emblemático dentro no Rap nacional, tenha sido a candidatura do rapper Aliado G do grupo Face da Morte para deputado federal em 2006 pelo PCdoB e posteriormente em 2010 para o mesmo cargo. Na ocasião mais recente o cantor teve o total de 17337 votos, um número até expressivo, porém, ainda assim, não conseguiu se eleger. O grupo Face da morte sempre se mostrou politizado em suas letras. Músicas que falavam de desigualdade social, história, ditadura, racismo, reforma agrária e apoio aos movimentos sociais.

Já no ano de 2012 o número de candidatos do Hip Hop foi muito mais extenso. É o que mostra uma matéria do portal Rap Nacional que traz uma entrevista com o rapper Mano Brown, e uma lista com mais de 40 nomes que concorriam às eleições municipais naquele ano associados a cultura Hip Hop. Entre os candidatos se destacam Nelson Triunfo, Nuno Mendes (105FM), Mano Ed (Face da Morte), Dj Fox, entre outros.

Chegamos até o presente ano, e com ele muitas surpresas e também candidaturas envolvendo pessoas ligadas ao Hip Hop. Uma rápida pesquisa no site Eleições 2016, mostra alguns candidatos com a alcunha de "Hip Hop" associada ao seu nome, algo até curioso. Teve até o caso do advogado Renato Freitas candidato do Psol em Curitiba que foi preso por cometer o crime de estar ouvindo "Rap, no último volume". Outras candidaturas são mais relevantes. É o caso do escritor Alessandro Buzo pelo PCdoB que disputa o pleito na cidade de São Paulo. A precursora do Rap feminino Sharylaine pelo mesmo partido e também na mesma cidade. O rapper Bad do grupo Tribunal Popular pelo PDT em São Bernardo do Campo, Rebeld SNJ pelo PCdoB em Guarulhos. Um dos pioneiros do Rap brasileiro, Pepeu Lorena pelo PRB, e o que mais tem chamado atenção, o rapper Douglas do Realidade Cruel também pelo PRB na cidade de Sumaré.

O escritor Toni C. fez um texto onde lista vários militantes do Hip Hop que disputarão as eleições de 2016 em várias localidades do Brasil.

Atestado de militância

O Hip Hop é um instrumento sócio-cultural de transformação da realidade, resgate da perspectiva do povo pobre, preto e periférico e arma contra o sistema. Disso não tenhamos dúvidas. Mas o fato de alguém simplesmente pertencer ao Hip Hop já o torna apto a exercer um cargo político? A resposta é NÃO.

Façamos uma reflexão. Muitos agrupamentos lançam candidaturas para que quando forem eleitos, alcançarem benefícios próprios. É o caso da bancada BBB, Boi, Bíblia e Bala.

A bancada evangélica é formada por "cristãos" que nas ocupações de seus cargos públicos, acabam legislando em causas próprias, resultando em decisões baseadas na religião, algo muito equivocado, pois como conhecido o Estado é laico. Outro coletivo que pode ser usado como péssimo exemplo de ascensão política pelo viés cooperativista é a bancada da bala formada pelos militares. Não é  nem necessário esboçar um amplo comentário sobre o tal grupo. Visto que os amplos interesses vão desde a revogação do estatuto do desarmamento, redução da maioridade penal, a privatização do sistema penitenciário, e a pena de morte. Sabemos bem quem vai será o maior vitima dessas decisões. Por último temos a bancada do boi, formada por deputados ligados à interesses latifundiários, agropecuários, de exploração da mão-de-obra escrava e contrários aos direitos indígenas.

O exercício de uma função pública por alguém que não esteja preparado, ou nunca tenha tido interesse político e na militância, ou ainda com convicções políticas rasas ou até distorcidas pode ter graves consequências ao movimento. Pior do que não ter representantes do Hip Hop nos plenários e congressos, é se deparar com escândalos de corrupção ou desvio de verbas envolvendo esses manos. Seria catastrófico saber que por determinação da legenda partidária um militante do Hip Hop que sempre lutou pela causa dos desfavorecidos, tivesse que votar uma lei que ceifasse o seu povo. Temos muitos exemplos de cantores sertanejos, pagodeiros, jogadores, dançarinos e artistas que basearam suas candidaturas na sua vida pregressa, e pediram votos apenas por serem conhecidos na mídia, mas não tinham um minimo de noção política. Outra vez, o Hip Hop também não precisa disso.

Devemos ter em mente que a ocupação de um cargo deve visar o bem coletivo. Isto é, não viabilizar somente estruturas que favoreçam as partes próximas ao mandatário. Exemplificando, se um candidato cristão ascende a carreira pública e quer legislar sobre religião, ele deve tentar favorecer o máximo de crenças possíveis, e tentar ao máximo abarcar as menos favorecidas e não só a dele em detrimento das outras. Por isso, um militante do Hip Hop que por ventura vier a ser eleito, não deve criar leis que visem somente a produção do Hip Hop, ou o dia universal do rap, ou a instauração da santíssima trindade do rap. Ele deve antes de tudo, usar o cargo em que foi empossado para ajudar o máximo de pessoas possíveis, sejam essas participantes do Hip Hop ou não.

Nos bairros pobres existem dezenas de militantes e intelectuais que nunca foram a um show de Rap, não conhecem ou não tem familiaridade com a cultura Hip Hop. Nunca ouviram Facção Central, Realidade Cruel ou Racionais, mas mesmo assim seguem uma conduta de vida exemplar. Entendem as tragédias sociais que nos afligem, são solidários aos seus iguais, tem convicção política e mesmo não sendo participantes do Hip Hop, também podem ocupar cargos públicos e desempenhar um papel fundamental de resgate da dignidade periférica e combate à corrupção.

Para ingressar em um meio tão temerário como o cenário parlamentar brasileiro e não ser cooptado pela cúpula  nefasta da elite, é inevitável estar alicerçado ideologicamente e ter hombridade de caráter. E infelizmente só ser do Hip Hop ou falar que é, não garante isso.

Polêmica partidária

Uma candidatura em especial causou polêmica nas redes sociais envolvendo o rapper Douglas do Realidade Cruel. O cantor se candidatou à vereador na cidade de sumaré pelo PRB - Partido Republicano Brasileiro. Legenda conservadora que é considerada de direita no espectro político nacional.

Primeiramente devemos esclarecer uma coisa. Quando votamos em um candidato, estamos automaticamente empoderando a legenda em que ele está filiado. Não existe isso de individualizar o voto e creditar a escolha somente a ele. Um exemplo disso é o caso dos deputados mais votados nas últimas eleições: Celso Russomano e Tiririca. Os dois candidatos juntos, conseguiram pela quantidade de votos, eleger mais sete deputados que simplesmente não seriam eleitos se a contagem fosse feita pelo número majoritário das urnas.

A controversa diante da possível eleição do rapper pelo PRB pode ser entendida por alguns aspectos. Por exemplo, o partido tem como presidente o bispo da IURD Marcos Pereira que é o atual ministro do desenvolvimento e comércio,  cargo esse que foi obtido no governo Temer, após o impeachment de 2016. Outro paladino do partido é Celso Russomano,  condenado à prisão pelo crime de peculato e um dos investigados na mafia da merenda em São Paulo. Os deputados da legenda também se manifestaram contrários à cassação do deputado réu Eduardo Cunha, quando a deputada Tia Eron que integra o PRB votou "sim" contrariando a bancada do PRB.

Mas um fato que é inexorável ao discurso do Rap e que deve ser debatido é a redução da maioridade penal. No ano de 2015 estava em alta a discussão sobre a mudança de lei que punisse como adultos menores de 18 anos que cometessem crime. O movimento Hip Hop juntamento com coletivos de militância social estavam em peso lutando contra essa medida, que descaradamente visava encarcerar jovens moradores da periferia, pobres e negros. Fez-se uma votação na  Câmara dos Deputados, e felizmente por apenas cinco votos a medida não foi aprovada. No entanto, é importante relembrar, que dos 19 deputados do PRB, todos eles sem exceção votaram à favor da diminuição da maioridade. Entre eles Celso Russomano, candidato à prefeitura de São Paulo em 2016.

A pergunta que fica é, se fosse um mano ou mina do Hip Hop, iria contrariar o partido, manter a ideologia e votar contra a redução?

O STF entende que o mandato pertence ao partido e não ao candidato. Tanto é que caso haja algum caso de desvio ideológico ou conflito de interesse é feito um processo de perda de cargo por infidelidade partidária. Acontecimento semelhante ocorreu com o Deputado Weliton Prado, que na época da votação da maioridade, já citada, contrariou a decisão do seu partido na época (PT) e foi o único parlamentar da legenda a votar à favor da diminuição. Após alguns desgastes entre as duas partes, o político entrou com uma ação e se filiou ao PMB.

A candidatura por partidos que tenham em seus estatutos intenções que são opostas aos interesses periféricos, e consequentemente do Rap sempre será polêmica. A questão à ser discutida é: Se os candidatos tem dimensão do aporte ideológico que carrega uma legenda, e se não tem, não seria mais coerente repensar o pleito e buscar outras alternativas? A resposta fica para cada eleitor.

Reitero aqui o respeito e admiração pela história de cada irmão e irmã que se candidatou, independente do partido. E que quando surgirem batalhas ideológicas, eles mantenham a ideologia periférica e revolucionária.

Em quem votar?

Em suma, esse texto não é uma negação à candidatura de pessoas do Hip Hop. Muito pelo contrário, quem é da periferia sabe o quanto é importante a representatividade no altos cargos. E como precisamos e muito de pessoas integras e politizadas para incorporar as casas legislativas, e se essas pessoas são próximas a nós e artistas da cultura de rua, melhor ainda. Agora, isso não significa que devemos depositar nosso voto em alguém, simplesmente por que na urna eletrônica aparece o vulgo de "Fulano do Hip Hop". Como citado acima, o nosso movimento tão marginalizado durante anos, não precisa de estigmas que afundem o que foi construído até agora. Ser do Hip Hop deve ser uma consequência do candidato, mas antes disso ele deve ter um ideário correto, consciência política e integridade nas ações.

Quer votar em um candidato do Hip Hop? Pesquise, vá atrás de informações, saiba quais são suas propostas, suas referências, seus ideais. Não concorda com a ideologia do partido  do qual ele está se candidatando? Questione o porquê da legenda. Ou se caso fosse necessário, ele se posicionaria contrário as deliberações partidárias para manter seus princípios? Converse, dialogue, mande mensagem, participe das rodas de debate, olhe no olho, tire suas incertezas, e quando não restar mais dúvidas de que ele realmente está preparado, dê o seu voto de confiança.

Independente do voto ou não nos candidatos do Hip Hop, a história de cada um deve ser respeitada. Antes de concorrerem a cargos públicos para nos representarem nas assembleias legislativas, eles representaram nossas vozes em letras de Rap, nossas vidas escritas em livros, nossas artes nos muros das quebradas, e o nosso sofrimento em todas as formas de protestos vindas das periferias. Máximo respeito por homens e mulheres que dedicaram suas vidas em prol da cultura de rua. E torçamos para caso haja vitória de alguns desses manos, consigam exercer alguma influência positiva nessa atmosfera perversa que é a política brasileira.

Outras opiniões

Logicamente que existem outras leituras sobre o envolvimento do Rap com a política. Diferentes textos que abordam o envolvimento de pessoas do Hip Hop com o pleito atual. O escritor Toni C escreveu o artigo Porque não votarei em nenhum rapper nessas eleições no site da LireraRua. Big Richard também escreveu um texto no Nação Hip Hop intitulado A Nação Hip Hop e as eleições de 2016. E o colunista do Bocada Forte DJ Neew também explanou em O Hip Hop tem partido político?

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RESGATE DA HISTÓRIA | KMT - DIA P | RINCON SAPIÊNCIA

A lei 10.639 de 2003 assinada pelo então presidente da republica Luiz Inácio Lula da Silva, ponderava sobre a lacuna existente na vasta história brasileira sobre a cultura e tradição da herança africana firmada no solo tupiniquim. Em 2008 essa lei foi modificada para contemplar também o estudo da cultura indígena brasileira. Passo fundamental para contestar a história positivista do homem branco civilizador, que infectou mentes e livros durante séculos de dominação intelectual. Prevalecendo a máxima: "A história é contada pelos vencedores"

"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.

“Art. 26-A.  Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Apesar de tardia, essa lei obriga as escolas publicas e particulares a incluírem em seus currículos a história dos povos arrasados pela dizimação do homem branco europeu e seu maquinário embranquecedor que perpetuou-se pelos séculos seguintes à colonização. Não é simplesmente contar sobre os negros escravizados quando adentraram ao território brasileiro e sobre as agruras que tiveram que enfrentar no processo escravocrata, ou mencionar a catequização forçada dos povos nativos pelos jesuítas e a aculturação e extinção sofrida por eles. É antes de tudo recontar a história, a tradição e a cultura, mas desta vez por um outro viés, e não como antes, que só era protagonizada pelos vencedores como afirma o sociólogo Walter Benjamin:

"O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer(Sobre o conceito da história, P.224)

Todavia, essa lei que sem dúvidas é importantíssima, só foi possível pela árdua luta de pessoas e movimentos negros e indígenas que  perpetravam um combate para que a história dos seus ancestrais fosse contada de maneira legitima e verdadeira. Séculos investidos na exclusão social não conseguiram aniquilar a sede impetuosa por justiça e reparação da própria história. E nessas segmentações de resistência o Movimento Hip Hop foi um dos pilares. O Rap não precisou que nenhum político promulgasse uma lei, para começar a relembrar os heróis revolucionários que lutaram a favor dos menos favorecidos. O que foi introduzido nos livros didáticos com grande atraso, a música revolucionária da periferia fazia à tempos. Não foram poucos os rappers que usaram suas ondas sonoras para reescrever a história e manter viva a chama de resistência.

"Se soubesse o valor que a sua raça tem tingia a palma da mão pra ser escura também" 4P - DMN

"Fracassou sua fórmula de menudos nas crianças, Hoje o ídolo é o careca ou de black ou de trança" / A professora mentirosa quis me iludir na escola, com livro hipócrita sem minha raça, minha história, pau no cú do português que pisou aqui, quero saber ver e ler sobre o meu herói Zumbi" Estratégia - CH e FC

"20 de novembro temos que repensar, a liberdade do negro, tanto teve de lutar" Sou Negrão - Rappin Hood

"A escravidão, as chibatadas levadas na senzala se mantém vivas todo dia no quarto sala / Povo nas ruas é dinamite, campo minado, exigindo 20 de novembro feriado! Zumbi o herói dos libertários" Fogo no pavio - GOG

"E nossos ancestrais por igualdade lutaram , se rebelaram morreram, e hoje o que fazemos?" Racistas otários - Racionais 

"Malcolm Little não e seu nome isso é você que diz, esse nome não é seu foi o feitor que te deu" Malcolm X - Face da morte 

"Tenho orgulho e bato no peito, sou decendente de zumbi , grande líder negro brasileiro" Afro Brasileiro - Thaide

Mas o Rap combatente de raízes não ficou restrito aos anos 90. Mesmo diante da massificação imposta ao Rap nacional por meio da pasteurização das letras existem grupos que permanecem resistentes. É o caso do grupo KMT que carrega a ancestralidade africana até no nome, onde a sigla é uma referencia a KEMET que significa Egito em copta. O grupo formado por Pedro Nubi e Tiago Onidaru lançou o EP "Terra do pretos" em 2015, e em 2016 acaba de lançar o vídeo clipe "Dia P".


"É o dia p, pode marcar no calendário qualquer que seja o meio que ele seja necessário
Pra otários ilegível como hieróglifos nossa história? Nossa assinatura nos livros"


Outro rapper que também mantém a postura e resistência nas letras e batidas é o cantor Rincon Sapiência. Rimas que misturam o Rap nacional com influencias africanas exaltando a negritude. Aliam-se a letras que tratam do cotidiano, resistência e ancestralidade. A música "Donos da mata" realizada em parceria com o Dj Caique fala sobre os povos ameríndios e a sua cultura. 



"A América sofreu um trauma os padres diziam que os índios não tinham alma
Bandeiras europeias na terra finca era uma vez Aztecas, Maiais, Incas"

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O HIP HOP E A MORTE DOS SEUS FILHOS

No ultimo dia 01, Altino Jesus do Sacramento, mais conhecido como Gato Preto, rapper do grupo A Família foi assassinado no Jardim Colombo, zona sul de São Paulo.

As informações à respeito da sua morte ainda são desencontradas, e carecem de respostas. Contudo, o lamentável fato só acentua a fúnebre trajetória de irmãos e irmãs que morrem ainda jovens nas periferias. Mais triste ainda ao saber que depois de um tempo de reclusão o rapper retornaria aos palcos com o grupo que o projetou como afirmou Dj Bira na sua conta no facebook.

Não é válido fazer nenhum juízo de valor sobre a vida do cantor. A história de Gato Preto mostrou-se em prol da comunidade em que ele vivia, e pela arte através da música e poesia. Mas como todo homem preto, pobre e nordestino carregou estigmas sociais, enfrentou dificuldades e morreu como muitos dos seus pares, jovem e alvejado.


Conhecia Gato Preto apenas nos palcos dos shows de rap, não tenho conhecimento profundo da sua vida, e mesmo que tivesse não sou juiz. Apenas apreciador das lutas revolucionários que são travadas através das letras de Rap, palcos da vida, e da militância social. Lamento a morte independente da causa. Contudo alguém que era respeitado por grandes nomes do Rap nacional como o rapper GOG também merece muita consideração e já tem muito o que dizer sobre ele. A morte de Gato Preto independente do motivo, é passível de reflexão sobre o próprio Rap. Artistas de inúmeros gêneros musicais frequentemente morrem pelas mais variadas causas. E até esse ponto não existe nada de mais. Contudo, um breve exame de consciência na nossa memoria nos traz alguns nomes da nossa cultura que partiram. Sabotage, Dina Dee, Dj Primo, Mano Thutão, Preto Ghóez, Speed Freak, Mc Brakela, Dj Lah, Fabio Macari, Tatiana Ivanovici e muitos outros. Independente da causa ou motivo da morte, todos eles sem exceção partiram com um longo caminho ainda pela frente.

Não que eu queira que os irmãos e irmãs do nosso movimento se tornem imortais, Mas uma cultura jovem como o Hip Hop que tem pouco mais de 30 anos no Brasil, não pode perder seus filhos e filhas de maneira tão precoce, e ainda pior, na maioria dos casos de forma violenta. Desejo que no alto das nossas velhices possamos saber de mortes envolvendo pessoas do Hip Hop causadas por fatores naturais de velhice depois dos seus 70, 80 ou 90 anos. Desejo que homens e mulheres do Hip Hop ostentem seus cabelos grisalhos e peles enrugadas, após anos e anos de militância e combate com microfones nas mãos lembrando da época em que subiam nos palcos e destilavam suas cóleras vocais contra as mazelas sociais do sistema, ou mãos que já foram muito sujas de tinta spray quando deslocavam-se a locais  aventurosos para grafitar a sua arte. B.Boyz aposentados pela idade dando dicas para os mais novos que estão começando sobre como fazer um moinho, ou DJs ensinando a arte dos toca-discos para jovens que não fazem ideia do que é uma MK. Não quero ver finais fatalistas or razões de violência, ou qualquer outro motivo que ceifou uma vida quando esta ainda tinha muito o que viver.

O Hip Hop como cultura que consolidou-se como porta voz de uma juventude periférica brutalizada pela fome, pela desigualdade, pelo racismo e que em meio a todo esse caos apontou uma saída a inúmeros jovens, não pode perder seus filhos tão precocemente.

Gato Preto, presente!
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GEORGE ORWELL - 1984

No ultimo podcast O Rap Em Debate umas das indicações do rapper Cezar Sotaque foi o livro 1984 do autor George Orwell. A conversa fez com que eu retomasse a lembrança do livro. E com isso indicasse ele aqui no blog.

1984 é o tipo de leitura que você não consegue fazê-la de maneira pausada ou deixar na metade. A narrativa, os personagens, a atmosfera quase pós-apocalíptica dessa obra a fez um best-seller lido e comentado em todo o mundo. Publicado em 1949 nos primeiros anos da Guerra Fria, o romance se ambienta no ano do titulo é se concentra em relatar a vida do personagem Winston na sua vida regrada pelas imposições do Partido que governa o seu país naquele momento. O livro é uma crítica a todo e qualquer tipo de governo autoritário e tirano sendo ele de esquerda ou direita. Para quem não conhece a origem do termo Big Brother o livro traz a verdadeira face da vigilância por 24 horas do dia, e com punição, caso o individuo não se enquadrasse nos padrões impostos. 


Descrição da obra: Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'

Em tempos de opressão contra ideias divergentes, "Escola sem partido", retaliações à movimentos sociais, de extermínio da juventude pobre e negra, é sempre bom ter em mente que por mais utópico que possa parecer, nenhuma liberdade , nenhum direito social é totalmente garantido. A tirania, a opressão, os desmandos da elite nunca ficaram em baixa, apenas silenciam-se enquanto seus privilégios estão sendo mantidos.
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O RAP EM DEBATE #04 - A EDUCAÇÃO QUE MATA OS GÊNIOS DOS BECOS


Download |||  Tamanho: 72MB   ||| Duração: 77 minutos

Novamente no ar o podcast O Rap Em Debate. Nesse 4° episódio A.Tiago e Marcos SJ do blog Rap e Filosofia  conversaram com o Rapper e professor de História Cezar Sotaque do grupo Ca.Gê.Be. O tema principal do programa é sobre o atual momento da educação, a precarização da escola e o famigerado projeto "Escola sem Partido". Porém outros assuntos foram discutidos como: Rap nacional, cultura, momento atual do Hip Hop e questões sociais.

Se preferir ouça pelo youtube


Contato Cezar Sotaque

Cine Escadão: https://www.youtube.com/watch?v=yMCJEqoRAWI
Matéria sobre o CD:  O Vilarejo


Hip Hop Sem Maquiagem

Sobre o podcast: O Rap Em Debate
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MEL DUARTE - NINGUÉM MERECE SER ESTUPRADA

Quando o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) bravejou insultos machistas e criminosos contra a deputada Maria do Rosário (PT-RJ) dizendo que a mesma "Não merecia ser estuprada", ele não apenas ofendeu uma deputada mulher de um determinado partido. Aquelas palavras mostram-se o discurso puro e simples de uma pátria machista que mata 13 mulheres por dia, uma a cada 2 horas, e que na sua maioria são negras. Bolsonaro não pode ser considerado simplesmente um acéfalo investido de milhares de votos que não apresenta perigo, ele é porta-voz de uma ideologia arbitrária e criminosa que acredita na inferioridade de mulheres, de negros, de homossexuais, de indígenas e de outros grupos igualmente oprimidos.


Contudo, para o azar e infelicidade desses grupos, existem mulheres e homens que resistem bravamente contra esse discurso opressor. Através da música, da arte, do diálogo, da literatura e da poesia é montado um exercito que não somente se defende, mas também ataca o inimigo.

É o caso da poeta Mel Duarte que ao se apresentar na FLIP de 2016 conseguiu expor em poemas um grito de resistência contra a objetificação da mulher, contra a estereotipização embranquecedora, e contra a cultura do estupro.


"Cabelo de negro não é só resistente, é resistência"
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POSTURA NO RAP

Cantores de Rap não são somente pessoas que relatam o cotidiano da periferia nas suas letras. São porta-vozes da massa desprivilegiada e excluída pelas atrocidades do sistema em que vivemos. Cada rapper do Verdadeiro Rap Nacional carrega consigo o peso de responsabilidade de transmitir através das suas letras o martírio sofrido pelos moradores dos becos, favelas e periferias. 

O posicionamento no Rap é algo fundamental. A postura que tanto se fala é resultado de ações que possibilitam um rapper a ter ou não o respeito da favela. Independe do estilo de música, da cor da pele, ou do discurso. A conceituação que as periferias dão a um grupo ou cantor transcende a barreira do som, e chega a um patamar de empatia e representatividade. Engana-se quem pensa que o público do Rap é facilmente enganado. Como diz KL Jay "As ruas estão de olho".

Dentro dessa temática, abaixo segue três entrevistas com três rappers que conseguiram ao longo dos anos o respeito e admiração da periferia. Cada um com seu estilo de cantar, posicionamentos e particularidades. Mas acima de tudo, representam a favela até o fim. 

Eduardo, Douglas e Renan com toda certeza influenciaram uma multidão de irmãos e irmãs que ouviram e ouvem suas músicas até hoje.


Na entrevista realizada pelo canal Marcus Bone, Eduardo fala sobre a nova fase da sua carreira, seu novo álbum, próximo livro, Rap, descriminalização das drogas, e sobre o atual momento da politica brasileira.



A entrevista do Douglas Realidade Cruel foi feita pelo mesmo canal da anterior. Nessa conversa o cantor conversa durante mais de 40 minutos sobre a história do RC, gravadora Baguá, carreira solo, grupos atuais, funk, e sobre a saída do rapper Flagrante que em 2009 deixou o grupo após sua conversão em uma igreja evangélica.



Já a entrevista com o Renan Inquérito foi realizada pelo canal Programa FreeStyle. Nela o rapper falou sobre o disco "Corpo e alma", sua trajetória no Rap, seu novo livro "Poesia para encher laje", participação com grupos da América Latina, novos projetos, e também deu um panorama sobre o atual momento da educação brasileira.

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MC BRANKELA NÃO SERÁ A ULTIMA

No último podcast o Rap Em Debate publicado aqui no blog com a participação de Gabriela Bruce, foi conversado sobre a violência contra a mulher na sociedade brasileira. Na ocasião falamos de como esse tipo de covardia persistia desenfreadamente nas periferias, e de como isso vinha crescendo em decorrência de inúmeros fatores provenientes de uma sociedade machista e opressora.

Casos de violência contra as mulheres são praticados em todo tempo. Até as estatísticas mais mascaradas não são capazes de esconder que existe um processo de exclusão e extermínio de mulheres que não se submetem aos  preceitos conservadores e machistas. Mulheres que não escondem a sua luta, trabalho, orientação sexual, religião, estado civil, condição social ou qualquer outro tipo de situação que constantemente às tornam vitimas de olhares acusatórios.


E o caso de Mc Brankela foi mais um desses, a rapper que tinha apenas 19 anos foi morta com 7 tiros na periferia de Manaus/AM. Segundo a investigação, o crime foi praticado por dois homens de moto que atiraram na jovem, e depois fugiram. Tanto os homens quanto a moto não foram identificados.

Nas reportagens que relataram o fato não houve citação da motivação do crime, e nem um envolvimento da jovem que pudesse ser associado ao episódio. No entanto, isso pouco importa. A maior motivação para a prática de mortes como da Mc Branquela e de muitos outros jovens periféricos é a ineficiência do Estado em garantir o artigo 5° da constituição federal para os mais vulnerareis. É a disposição que o Estado tem em manter as relações de opressão contra o povo preto, pobre e periférico. São as inúmeras investidas criminosas contra nossos jovens que ficam entre a opção da criminalidade e a da exclusão social. Negar o extermínio da juventude pobre do Brasil é uma vergonha.


Brankela morreu por ser mulher, ou por ser pobre, ou por ser moradora de periferia. Porém, pode ter sido por todos esse motivos somados.
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O RAP EM DEBATE #03 - PROTAGONISMO FEMININO


Download |||  Tamanho: 50MB   ||| Duração: 54 minutos

Está no ar o 3° episodio do podcast O Rap Em Debate. No mês das mulheres a convidada é a grafiteira e educadora social Gabi Bruce de Recife/PE. Foram debatidas questões ligadas à mulher na sociedade, protagonismo feminino no Hip Hop, militância social, grafitti, machismo, violência e preconceito.

OBS: Em alguns trechos o áudio ficou um pouco chiado devido a conexão com à internet, porém, no decorrer do tempo o som é normalizado e não atrapalha a compreensão da conversa.

Se preferir ouça pelo youtube



Contato Gabi Bruce


Hip Hop Sem Maquiagem

Sobre o podcast: O Rap Em Debate
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DINA DI MJ - VOANDO SÓ

Março, mês das mulheres, que tal lembrar da Rainha do Rap Nacional?

Dina Di foi a maior referencia de Rap feminino no Brasil em meados dos anos 90 e 2000. Tinha uma voz forte e rimas pesadas, o que à fizeram despontar no cenário da música periférica. Cantou ao lado de vários monstros do Rap, gravou clipes, era líder do Visão de Rua, um dos grupos mais pesados em relação às denuncias e protestos.

Numa época em que feminismo era um termo bem pouco conhecido na periferia, Dina já cantava as adversidades que as mulheres do gueto sofriam. Violência domestica, abandono, mães que criavam seus filhos sem os pais, envolvimento das mulheres com o crime, penitenciarias femininas e uma série de músicas que não massageavam para o sistema. Dina Di conseguiu protagonismo em um mundo dominado pelos homens que era o Rap Nacional.

Mas infelizmente no ano de 2010, a cantora ao dar à luz a sua filha Aline, teve complicações pós parto e acabou falecendo  devido a uma infecção hospitalar. Era o fim de uma vida dedicada ao Rap e a luta em prol das mulheres.


Para amenizar a saudade dos fãs da cantora, o Rapper da zona sul de São Paulo MJ que havia gravado com Dina Di em 2009, acaba de lançar a música inédita Voando Só. Nas palavras do cantor a música fala sobre: fé, arrependimento e de como aprender a fazer os dias serem melhores. 

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EDUARDO - A VOZ DO FAVELADO

O grupo Primeiro Ato lançou o álbum Rua Rap Rua Verdadeiro que é mais uma grande arma de militância dentro do movimento Hip Hop. Em tempos de músicas pasteurizadas, midiáticas e com conteúdo sem preocupação social, o grupo da Zona Leste de São Paulo veio com um CD pra quem gosta do Rap Nacional voltado para o menos favorecidos.

O álbum está cheio de denuncias sociais, criticas, e outros temas que englobam o cotidiano hostil em que vivemos. E uma dessas denuncias é um interlúdio gravado pelo rapper Eduardo Taddeo, onde ele apresenta o grupo e faz um discurso libertário e delatório contra as classes dominantes e abastadas.


Primeiro Ato - Eduardo a voz do favelado

Eu vivo em meio às trevas que matam uma pessoa a cada nove minutos. Onde mães marcham por justiça segurando velas e cartolinas com fotos de filhos assassinados. Onde sua cor e padrão econômico definem a sua expectativa de vida e os direitos que você tem acesso.

No matadouro que dilacera a carne dos esquecidos, crianças abandonadas pela sociedade brincam de chefes do crime organizado. Crianças abandonadas pela sociedade sonham com pais e mães que foram aprisionados. Sonham com pais e mães que foram mortos pela polícia. São estupradas e barbarizadas pelo Estado e pelo playboy cuzão, que rouba a favela pra desfilar de SUV de luxo.

Ainda na infância os carrinhos e bonecas são trocados por revólveres com numeração raspada. Ainda na infância a proteção do ECA vira cinzas em uma das milhares de Cracolândias articuladas pelos governos municipais, estaduais e federal. 

Seguimos cometendo latrocínios, torturando em cativeiros, invadindo condomínios de alto padrão, e furando blindagens, porque essa é a vontade dos insetos imundos que ostentam sua burrice através de colares de diamantes.

Quando nos privam da educação, estão pedindo para torrar dentro de um porta-malas em chamas. Quando reduzem a constituição federal a um livro de piadas, estão pedindo para serem reconhecidos pela arcada dentária ou pelo DNA.

Enquanto os deuses da carnificina saboreiam as vitórias de seus cavalos em corridas no Jockey, o martelo seletivo do judiciário não dá chance pros que nunca tiveram chance de progredir socialmente, profissionalmente, intelectualmente.

Bilhões de reais são gastos em políticas de massacre. O dinheiro que financiaria o Brasil em paz é investido no sistema prisional desumano, nas medidas socioeducativas inúteis e no aparelhamento de esquadrões da morte legalizados. A meta não é formar cidadãos, apenas subalternos, detentos e defuntos.

Em pleno ano de 2015 somos mantidos em senzalas modernas. Somos escravizados em subempregos humilhantes. Em pleno ano de 2015 construímos os bairros que seremos proibidos de entrar, os carros que nunca dirigiremos, os prédios que subiremos pelo elevador de serviço. Enquanto a polícia não nos mata e forja uma troca de tiros na cena do crime, nos deixam ler apenas os livros que ampliam nossa submissão. Dentro ou fora das prisões, não temos permissão para ler escritos libertários e revolucionários. Os textos que normalmente temos contato durante toda nossa sofrida existência são os parágrafos contidos em obituários, inquéritos policiais e processos judiciais com nossos nomes ou de parentes e amigos.

As ruínas abaixo da linha da indigência me ensinaram que pessoas comuns cometem crimes por necessidade ou indução. Já a classe abastada rouba merenda, espalha vírus, vicia, alcooliza, esconde a cura de doenças por ganância e egoísmo. Aprendi que nas grades insalubres do sistema penitenciário estão as vitimas, e que nos endereços mais valorizados e vigiados do país moram os tiranos na nação.

Não tenho medo de exteriorizar os meus sentimos, minhas convicções e principalmente meu ódio. Eu quero que todo jato abastecido com sangue do mais humilde exploda. Eu quero que toda mansão erguida sobre cadáveres de excluídos seja assaltada e queimada, e que todo opressor nutrido com suor e as lágrimas de um oprimido seja dizimado por armas de grosso calibre, desenhadas por seus próprios projetistas e produzidas em suas próprias fábricas.

Ai inimigo cruel, tirano e filho da puta. Aquele que escreveu as frases que te fizeram borrar nas calças se chama Eduardo. É um militante do gueto que para o seu desespero vai ficar o front até que o último de nós seja salvo. E para piorar para você, igual a mim têm vários outros homens bombas no seu encalço. Com a mesma ideologia combativa, revolta e sede de justiça e vingança. Te apresento meus parceiros do 1° Ato.

Foda-se suas Ponto 40, suas tropas de homicidas, seu Estado genocida, seu poder financeiro e sua mídia tendenciosa e manipuladora. Toda sua força destrutiva não é capaz de intimidar aqueles que têm a mentes livres de sua alienação. Eu Eduardo, Luís Fernando, DJ Cleber e Mano Gordinho sabemos o porquê de cada desgraça que atinge os bolsões de miséria. Sabemos o porquê de cada urna funerária sendo velada nos cemitérios que mais enterram jovens no mundo e a onde está alicerçada a fortuna dos grupos dominantes. 

Nem perde tempo mandando rato fardado jogar em cima de nós: Apologia ao crime, formação de quadrilha ou atentado terrorista. Por que as nossas metralhadoras verbais só vão parar de atirar quando cada arrombado que ataca a periferia tiver numa cela ou à 7 palmos abaixo da terra.

Eduardo Taddeo

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DOCUMENTÁRIO - MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE

Em tempos de convulsões sociais e aclamações apocalípticas em torno da nossa politica é momento de pensar e repensar os fatores. Alguns levantam bandeiras indecorosas pedindo a volta do período tétrico da nossa historia, querendo reviver um fatídico ano 64 que na memória dos esquecidos ou desonestos parece ser a época em que o bem venceu o mal. Outros não conseguem enxergar que mesmo com algumas mudanças sociais existentes nos últimos anos, ainda assim, é necessário e muito criticar o governo que ai está.

Pois bem, primeiramente é sabido ou deveria ser que essa tal polarização que ai está não é totalmente verdadeira. O país não está dividido entre Petralhas e Coxinhas, vermelhos contra verde-e-amarelos, o bem contra o mal. Existem muitas outras correntes de pensamentos que devem ser abordadas e debatidas. Uma pluralidade de ideologias que mesmo não concordando com o atual governo, também não concordam com valores fascistas, nazistas, ditatoriais, arbitrários, homofóbicos e tantos outros.




O objetivo dessa mensagem não é alardear e tomar partido numa discussão que merece muito mais espaço do que alguns parágrafos. Logicamente que não existe imparcialidade, sabemos, neutralidade é só no sabão de coco. Muitos anos ouvindo Rap nacional, a leitura de um pouco de História, a convivência periférica e a compreensão do maquinário perverso do sistema me fizeram ter uma inclinação voltada para a igualdade social e para a reparação do que nos foi roubado historicamente. Logo, 45 nem no microondas.

Voltando ao assunto, esses dias de bombardeamento de informações visivelmente tendenciosas me fizeram lembrar de um documentário à respeito da Rede Globo. A emissora de TV que nasceu e se fortaleceu na ditadura militar brasileira, que tem em seus programas claras mostras de racismo e preconceito, é a maior formadora de opinião do país e na qual bestializa e emburrece uma massa populacional gigante, tem um documentário produzido pela BBC só para ela.

Assista e veja como uma simples emissora de TV pode mudar posições politicas, incitar a violência generalizada, causar equívocos e por fim MANIPULAR SUA CONSCIÊNCIA e te fazer acreditar no que ela quiser.

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O RAP EM DEBATE #02 - A LIBERDADE DO REINO PARA A RUA


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O 2° episódio do podcast O Rap Em Debate traz como convidado o rapper e escritor Marcelo Biorki. A conversa teve como tema principal o livro "Liberdade dos meus versos" que conta o trabalho feito pelo cantor na Fundação Casa em São Paulo. Porém, outros assuntos foram abordados como Rap nacional, missões urbanas, politica e religião e música gospel.

Se preferir ouça pelo Youtube



Contato Marcelo Biorki


Hip Hop Sem Maquiagem

Sobre o podcast: O Rap Em Debate
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INQUÉRITO - MADRE TIERRA


Se podemos falar de talento dentro do Rap nacional, então podemos falar de Renan do grupo Inquérito. Além de organizar araus, ser escritor e poeta. Na música desde o 1° álbum do grupo Mais Loco Que U Barato até o último Corpo e Alma a multi-versalidade musical do grupo não para. Inúmeros elementos tocados juntamente com o Rap, embolada, samba, MPB e também já lançaram um clipe com a banda cubana  La Invaxión. Agora o rapper resolveu inovar mais uma vez e lançou a música Madre Tierra que além de ser gravada na Argentina, também traz referencias da música tradiconal "hermana" com participações de Malena D´Alessio e Ramiro Abrevaya.





Já passou da hora de deixarmos as barreiras imaginárias de lado. Ninguém é inimigo do outro simplesmente porque nasceu em um ponto geográfico diferente. As demarcações territoriais foram inventadas por homens que tinham interesses ideológicos e comerciais que não condizem com a nossa realidade. Sejamos cosmopolitas de braços abertos á todos os irmãs e irmãos que vivem em situações parecidas com as nossas, mesmo que seja do outro lado do hemisfério.
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BEYONCÉ, A MÚSICA POLÊMICA E O NOSSO RAP


No ultimo dia 07 a cantora Beyoncé provocou um alvoroço no mundo musical ao cantar na final do Super Bowl a canção Formation. Mas o que houve de tão polêmico para essa indignação dos setores mais conservadores da sociedade? Qual foi o  tal assunto que despertou a revolta e principal evidenciou o racismo que até então estava camuflado no âmago dos fãs da cantora?

Beyoncé sempre foi conhecida por ser uma cantora, dançarina, atriz, multitalentosa e ser casada com o milionário rapper Jay-Z. Até esse ponto nada demais. Suas músicas na maioria das vezes impulsionavam a danças e coreografias sensualizadas ou em outros momentos falavam de romances, relacionamentos e assuntos que são comuns a música pop (Salvo erro, já que o autor nunca foi um ouvinte assíduo desse gênero musical).

Contudo, isso é só uma imagem que se tem da cantora. Ela e seu marido já doaram R$ 6 milhões para o movimento Black Lives Matter que presta ajuda jurídica para negros que foram presos em manifestações e que combate a brutalidade policial. O casal tem um ativismo em diversas frentes sociais.

Mas e a polêmica?

Parece que milhares de pessoas desconheciam o óbvio. Beyoncé é negra.



Eis que extraordinariamente na final do Super Bowl o evento que atingiu a maior margem de audiência na história da TV estadunidense, um dia que os americanos voltam a sua atenção para o entretenimento e ao duelo entre os gigantes da NFL. Tarde tipica para comer cachorros quentes, tomar coca-cola e ver ao jogo. Tudo certo. Só que não suspeitavam que a pop-star queridinha da América, tornaria-se a protagonista de um indigesto tema a ser discutido em cadeia nacional. O racismo e o extermínio da população negra.






A música em questão traz claras referências as lutas de movimentos negros, personagens históricos como Luther King, períodos escravocratas com a inversão de papéis, a exaltação da ancestralidade nos Estados sulistas de Louisiana e Alabama (Ver guerra da Secessão), afirmação da negritude, empoderamento, e em determinado trecho do clipe é visto em um muro a seguinte frase: “Stop Shooting us” (parem de atirar em nós), se referindo aos ataques policiais contra os bairros pobres e negros. 

A cantora foi atacada por algumas pessoas por usar o espaço do esporte para fazer militância. Como se o esporte fosse uma esfera á parte do mundo real. Como se não flagrássemos inúmeras manifestações racistas em diversas modalidades esportivas contra jogadores negros. O esporte também deve ser instrumento de luta contra a opressão. 

Pode parecer um equivoco, mas quando tomei conhecimento do caso acima, não tive como não associa-lo ao nosso Rap nacional. Logicamente que o estilo musical e a situação são diferentes. Mas é muito notório que quando um artista negro, ou um rapper ou um intelectual vão em programas de auditório ou entrevistas para falar sobre o samba, carnaval, a harmonização da periferia, pagode na laje, romancear a exploração do trabalhador, reforçar o discurso do povo pobre e feliz, citar frases coloridas ou negar o racismo e a luta de classes, sempre existe o espaço aberto e são bem recebidos.

Agora, quando o assunto é escancarar as mazelas sociais, expor o cancro que está alojado na sociedade e combater de forma veemente a situação vergonhosa em que nos encontramos. Passamos para os "reclames do Plim Plim".
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O RAP EM DEBATE #01 - A MILITÂNCIA SOCIAL DENTRO DO HIP HOP


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O 1° episodio do podcast O Rap Em Debate tem como convidado o rapper e militante social Markão Aborígine de Samambaia/DF. Conversamos sobre vários aspectos que estão intimamente ligados á cultura Hip Hop. Temas como militância, intolerância no Rap, machismo, preconceito, violência contra mulher, literatura marginal, questões sociais e politica.


Se preferir ouça pelo Youtube



Contato Markão Aborígine


Hip Hop Sem Maquiagem

Sobre o podcast: O Rap Em Debate
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